• Paisagem na rodovia BA-148, próximo a Piatã
    • DIA 01
    • Trecho: Salvador - Catolés (600km, sendo 30 de estrada de chão)

      Essa viagem tomou praticamente o dia inteiro. A entrada para Catolés a partir da BA-148 que aparecia em nosso mapa não é mais usada, então foi perrenge puro, a noite, percorrer este trecho semi-abandonado e isolado. Apenas na volta achamos o caminho correto, novo. Tirando isso, o trecho de estrada de terra entre a BA-148 e Catolés é muito bom, passando pelo povoado de Ouro Verde e dezenas de pequenos sítios. O visual é muito bonito, pois a estrada contorna os contrafortes da Serra da Tromba, que parece uma quilha de um grande navio. Catolés tem uma pousada simples e alguma infra de alimentação.
      • Subida ao Pico do Barbado
    • DIA 02
    • Subida ao Pico do Barbado (2033m)

      Simplismente a montanha mais alta da Região Nordeste.
      • Vista de Catolés com a Serra do Barbado ao fundo
      • Estrada Catolés BA-148: Antigo moedor de cana por junta de bois e casa do alambique ao lado. Ao fundo a Serra do Barbado
      • BA-148 entre Livramento de Nossa Senhora e Rio de Contas, com a Serra das Almas e a Cachoeira do Fraga
    • DIA 03
    • De Catolés a Rio de Contas (110km, sendo 70km em estrada de chão)

      Saimos pelas 9h da manhã de Catolés rumo a Rio de Contas. O primeiro trecho, até o entroncamento com a BA-148, é muito bonito, com várias paradas para fotografar a Serra da Tromba de diferentes ângulos e as casas típicas da região. Logo após tomar a direita no asfalto da BA-148 inicia-se a forte descida que termina em Abaíra, cidade que produz a cachaça homônima e de exelente qualidade. A praça principal tem esculturas alusivas a produção da aguardente, com o carro de boi, o moedor de cana movido por junta de bois, o barril de fermentação e uma fonte com a garrafa despejando, água.

      Logo na saída da cidade a mudança é drástica, a começar pela estrada, que é de chão até a próxima cidade (Jussiape). A paisagem é tomada pelo cinza da caatinga já seca e o verde fica restrito ao fundo do vale do Rio de Contas, que é utilizado para irrigar os canaviais e pequenas roças de frutas e verduras. A estrada é larga e pouco acidentada, mas deve-se prestar atenção ao atravessar a ponte sobre o Rio da Barra, pois após ela há um entroncamento não sinalizado e deve-se tomar a esquerda, pois a direita se segue para Caraguataí. Mais alguns quilômetros se chega a entrada de Jussiape e surge um maravilhoso asfalto, novo em folha, que nos levaria até Rio de Contas, que fica após outra bela serra.

      Ainda sobrou tempo para dar uma volta no centro e, seguindo pela BA-148, descer a Serra da Almas (trecho muito perigoso) até as planícies de Livramento do Brumado, de onde se tem várias visões da incrível Cachoeira do Fraga.

      • Igreja de Santana em Rio de Contas
      • Estrada entre Abaíra e Jussiape, anda sem pavimentação, com caatinga
      • Pico das Almas visto do Campo do Queiroz
    • DIA 04
    • Subida ao Pico das Almas

      Terceira maior montanha da Bahia, e talvez a mais bela, pela singularidade da paisagem. Veja todos os detalhes da trilha aqui no site do CA.
      • Estrada de acesso a Ibicoara a partir da BA-142, com a Serra do Sincorá ao fundo
      • Trecho da Estrada Ibicoara - Baixão próximo ao mirante do Capão Redondo
    • DIA 05
    • Pico das Almas ao povoado do Baixão (Ibicoara): 120km, sendo 90km de chão

      Este prometia ser o dia mais aventureiro, pois já iniciaria com a caminhada do Campo do Queiroz (base do Pico das Almas) até a Fazenda Brumadinho (onde havia deixado o carro). Após umas 2h de trilha seguimos de carro pelo caminho inverso do dia 03, até a cidade de Jussiape. A partir daí viria a parte "no escuro" da viagem, que seria encontrar o caminho entre Jussiape e Ibicoara. Não havia nada nos mapas e tentei traçar a estrada olhando no google earth (na época as imagens não eram boas como agora), e após tomar algumas informações no posto de combustível de Jussiape seguimos rumo a serra que separa o vale do Rio de Contas dos Gerais de Mucugê. A estrada é boa, mas estreita e cheia de curvas, exigindo bastante atenção. É bom se informar antes sobre as condições da estrada. Atualmente, graças a boa qualidade das imagens no google maps, fica muito fácil planejar este trecho.

      Após atingir os Gerais de Mucugê, a estrada é reta e plana, ladeada por muitas plantações de grandes projeto agrícolas, até chegar ao asfalto da BA-142, justamente no entroncamento para Ibicoara. Basta seguir reto por mais 10km em asfalto irregular e mal sinalizado até Ibicoara. Depois tomar a estrada para o Baixão, facilmente visualizada pelo google maps. Ver mais detalhes no Roteiro da Cachoeira da Fumacinha por Baixo, aqui no CA.
      • Trilha da Fumacinha por Baixo
    • DIA 06
    • Trilha da Fumacinha por Baixo; Povoado do Baixão a Mucugê (120km, sendo 30km de chão)

      Após fazer toda a caminhada da Fumacinha por Baixo, era necessário carregar o carro com as tralhas e seguir viagem para Mucugê. A estrada entre o Baixão e Ibicoara já estava reconhecida, o que permitiu alguma economia de tempo. O trecho asfaltado entre Ibicoara e Mucugê é muito bom (a excessão do acesso a Ibicoara a partir da BA-142), com grandes retas, aclives e declives, e um visual incrível dos contrafortes da Serra do Sincorá, bem como dos Gerais de Mucugê e seus grandes pivôs de irrigação. Originalmente os gerais eram ocupados por cerrado. Mucugê é uma bela e pacata cidade histórica, e tem como principais atração o Cemitério Bizantino, localizado na chegada da cidade para quem vem de Ibicoara, além do Museu do Garimpo e do Projeto Sempre Viva, situados na saída para Andaraí.
      • Ruas de Igatu na parte habitada da cidade
      • Xique-xique de Igatu vista do Morro do Cruzeiro
    • DIA 07
    • Mucugê a Xique Xique de Igatu (30km)

      Dia leve, destinado a descansar das etapas anteriores. A única obrigação era ir à bela cidade de Igatu e encontrar a casa que havíamos alugado. A forma mais fácil de chegar a cidade é tomando a BA-148 sentido Andaraí, que é muito sinuosa e perigosa neste trecho. Notar que no mapa, novamente, as estradas do banco de dados do google maps está totalmente incorreta, e eu tive que desenha-la por cima da imagem de satélite. Um pouco antes da ponte sobre o Rio Paraguaçu há o acesso a Igatu a esquerda. A estrada até lá é pavimentada por pedras e tem um belo visual, com grandes rochas e numerosos cactos xique-xique. Para quem vem de Mucugê há um acesso secundário que economizam 20km de viagem, mas é uma estrada de chão mal conservada, é bom se informar antes.

      A cidade de Igatu é conhecida como a Machu Picchu da Chapada, pois mais da metade da cidade é constituída por ruínas. Isto se deve a mineração do chamado carbonado, um diamante sem valor gemológico mas muito importante para uso industrial em brocas de perfuratrizes. A cidade chegou a ter 15 mil habitantes na década de 1920 mas, com a invenção do diamante industrial sintético, houve uma súbita queda do preço e a cidade entrou em rápida decadência, sendo praticamente abandonada. Na década de 1980 ela tinha pouco mais de 180 habitantes e atualmente, com o incremento do turismo, já tem quase 400 habitantes.

      A área urbana encerra alguns atrativos, além dos setores em ruínas, como uma galeria de arte, a imperdível casa de "Seu Amarildo" e, principalmente, a tranquilidade da cadência da vida do interior. A lista de atrações naturais também é grande, com destaque para o mirante da Rampa do Caim e várias cachoeiras.
      • Vista do Vale do Paty a partir da Rampa do Caim
      • Vista do Vale do Paty a partir da Rampa do Caim
    • DIA 08
    • Caminhada para o Mirante da Rampa do Caim

      A caminhada dura umas 3h e se inicia no campo de futebol (todo mundo conhece). O início da trilha é um pouco confuso, mas os nativos dão as dicas, sem que façam pressão para que os contrate como guias. Esta confusão se dá pelos resquícios das atividades de garimpo, que abriram várias trilhas e valas que confundem a trilha, mas logo ela se "define" e basta tomar a esquerda na primeira bifurcação que ela fica sem mistério. A caminhada é bem tranquila, em aclive suave, passando por algumas tocas de pedra que eram aproveitadas como moradias pelos garimpeiros. É possível observar várias estruturas oriundas da atividade garimpeira, como muros de pedra, canais e uma barragem no alto da serra.

      Após a barragem, são mais 15min de caminhada até outra represa, e logo se atinge outra pequena represa, já no alto da serra, que já permite o primeiro visual do outro lado da serra. Até o mirante são apenas 5min e de lá a paisagem é fantástica. É possivel observar a junção do Rio Paraguaçu, que vem da esquerda desde Mucugê, e do Rio Preto, que corre desde o Vale do Paty. Os rios estão encaixados em grandes cânions e mostram as típicas águas escuras da Chapada. O mirante fica alinhado com o Vale do Paty e dá uma idéia da grandeza deste lugar, um dos mais mágicos da Chapada.

      A descida é ainda mais tranquila e, se houver disposição, é possível visitar os garimpos abandonados. Próximo ao campo de futebol há uma casa, sob grandes paredões, que oferece a visita às tocas de onde era retirado o material para ser lavado e selecionado, na busca pelos diamantes. As grandes montanhas de cascalho são a prova desta atividade, que foi tão intensa e devastadora que a vegetação local ainda se recupera. Outra cicatriz do garimpo são os imensos bancos de areia que podem ser vistos no vale do Paraguaçu, resultado da erosão induzida pelo garimpo no alto da serra.
      • Toca do Morcego Igatu
    • DIA 09
    • Igatu - Salvador (500km)

Mapa Dinâmico




Fonte: clubedosaventureiros.com